sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ponto Final

Certa vez o Sr. Millôr Fernandes mostrou-se indignado pelo desperdício (de tinta e de espaço na página, entendo eu) gerado pelo uso de parágrafos e travessões, argumentando que estas ferramentas são supérfluas ao entendimento de um diálogo.

Eu, como jovem universitário, leitor de jornal, telespectador de cada coisa e consciente do meu papel social, estou seguro aqui, do alto da minha classificação intelectual amebácea, para discordar e, sem constrangimento dizer que eu eu teria sim, sérias dificuldades em entender textos que não usassem parágrafos e travessões nos diálogos.

E foi em busca da Verdade (e para diminuir a impressão da minha ignorância) que elaborei e executei uma pesquisa altamente tendenciosa, constatando que 77% dos meus colegas universitários federais teriam a mesma dificuldade, sendo que os outros 23% não puderam opinar por nunca terem tentado ler um livro na vida.

Só pra terminar, denuncio já pra vocês o verdadeiro indigente da editoração gráfica: O ponto. Sim. O ponto. Não todos os pontos, claro. O último, por exemplo, não se rebaixa ao nível do segundo, terceiro e quarto pontos deste post, pertencentes à categoria especial de pontos chamados pontos finais, que são na verdade totalmente inúteis na compreensão do texto, uma vez que o término do parágrafo já indica seu próprio fim, não necessitando de nenhuma sinalização adicional para isso

Viu?

Agora imagine quantos milhões (bilhões? trilhões?) de litros de tinta gasta em pontos finais desde o advento da imprensa! Quantos barris de petróleo gastos para imprimir os famigerados pontos finais. Valioso petróleo que poderia estar sendo usado como combustível de motosserras ou então na produção de agrotóxicos...

E talvez você ache ok usá-lo enquanto escreve na Internet, já que digitalmente está livre dos efeitos nocivos causados pelo uso do ponto final. Pois saiba então você, que cada ponto digitado representa um caracter, e cada caracter, um conjunto de bits que juntos em toda a rede correspondem a um volume de dados tão imenso a ponto de prejudicar as comunicações via satélite com comunidades isoladas próximas ao polo norte, o que resulta na morte de centenas de bebês-foca

pense nos bebês-foca


O ponto final é antissocial e antiecológico. Além de antipático

Tendo sabido tudo isso, só lhe resta agora, por uma questão de mínimo bom-senso e consciência social, boicotar qualquer livro, revista, publicação impressa ou eletrônica que faça o uso do ponto final, além de abominá-lo totalmente do seu uso cotidiano e informar aos seus filhos, amigos e parentes dos efeitos prejudiciais causados pelo aparentemente inofensivo ponto final.

(desculpe!)

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